Depois de pagarem pelo apartamento na planta, compradores do Condomínio Cidade de Deus recebem informação de que terreno é inabitável, porque solo está contaminado

 

O que era para ser o sonho da casa própria, virou pesadelo aos compradores de apartamentos no Condomínio Cidade de Deus, na rua Rio Branco, 723/895, em Mauá. Ocorre que o empreendimento não tem autorização da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para iniciar a construção já que a área foi considerada inabitável, pois foi contaminada por empresas na década de 90.

Maquete do Condomínio Cidade de Deus ainda é divulgada em sites de imobiliárias por meio de anúncios. Foto: Reprodução

 

Os moradores começaram a entrar na Justiça, pois muitos pagaram valores altos. Houve cliente que chegou a desembolsar R$ 100 mil. Natália Teodoro Rodrigues, moradora do Jardim Feital, está entre as pessoas lesadas e acionou o Poder Judiciário e fez a notificação da empresa. “Fomos lesados com a compra de imóveis na planta tudo por intermédio da Igreja Batista Água Viva de Mauá e a gente está na luta para recuperar o dinheiro de volta. Eu enviei uma notificação extrajudicial e o prazo para me fazer o pagamento terminou nesta sexta-feira (15/02), mas a incorporadora não cumpriu e sequer deu retorno”, afirmou Natália.

A Cetesb confirma problemas no solo. “A contaminação é resultante da atividade das indústrias químicas Uniroyal e Unimauá, que fecharam na década de 1990 e posteriormente a área foi comprada pela Igreja Batista Água Viva. Na transição de proprietários, ocorreu o desmembramento do terreno e, a partir de 2010, a igreja ficou com uma parte e a Leblon Transportes ficou com outra. A Cetesb solicitou aos novos proprietários uma investigação detalhada e as medidas propostas para intervenção e remediação das áreas. Até a conclusão da investigação e parecer da Cetesb sobre a proposta de reutilização das áreas, o local não pode ser ocupado”, informou a Cetesb por meio de nota oficial divulgada à imprensa.

Os moradores lesados no sonho da casa própria informam que a Prefeitura concedeu um alvará provisório, em cerimônia que contou com a presença do prefeito Atila Jaocmussi (PSB) no fim do ano passado, dias antes de o prefeito ser preso pela Polícia Federal. A administração da prefeita interina Alaíde Damo (MDB) foi procurada, mas até o fechamento da reportagem não havia dado retorno. Assessores próximos ao prefeito que deve retornar ao cargo nesta segunda-feira (18/02), após deixar a prisão nesta sexta-feira (15/02), não se manifestaram sobre o assunto. Representantes da Igreja Igreja Batista Água Viva não foram localizados.

Os anúncios de imobiliárias sobre a construção do condomínio ainda são encontrados em sites. A reportagem ligou em uma delas e a informação foi de que que já sabem dos questionamentos levantados até o momento. Os responsáveis pelo empreendimento, a RRX Holding, Participações e Investimentos Ltda e a Jordânia Engenharia Ltda, não foram localizados para falar do problema. As duas construtoras têm o mesmo representante, o empresário Rodrigo Haddy Penna Guerreiro.

O caso do Condomínio cidade de Deus já foi parar na Justiça. Um inquérito já foi aberto pelo MP (Ministério Público) de Mauá para investigar eventuais irregularidades.

 

Fonte: ABCD Jornal